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O Brasil se orgulha de ser membro da União Internacional de
Telecomunicações a partir de 1877. Desde que a UIT foi criada, para padronizar o
telégrafo, muita coisa mudou. O telefone, o rádio, a televisão e a internet
estão hoje em todas as partes; dominam as comunicações. O mundo ficou menor e as
pessoas ficaram mais próximas.
Cerca de um mês atrás, em 18 de maio, comemoramos o Dia Mundial das
Telecomunicações e da Sociedade da Informação. A ocasião nos fez lembrar da
importância de combater a exclusão digital, que é hoje uma das maiores
limitações na busca do desenvolvimento.
Para reduzir as desigualdades, precisamos aumentar o acesso às tecnologias
modernas de comunicação. Elas devem chegar a um maior número de pessoas, a fim
de que possam exercer sua cidadania. O acesso às tecnologias deve extrapolar a
dimensão de infraestrutura de comunicações. Os cidadãos devem estar capacitados
a utilizar essas tecnologias de maneira interativa e crítica. É assim que vamos
promover a cidadania e a diversidade cultural na sociedade do conhecimento.
Estamos determinados a resolver o problema da inclusão digital no país.
Estamos equipando todas as escolas públicas urbanas brasileiras com internet
banda larga. Estamos distribuindo experimentalmente 150 mil computadores
portáteis para alunos e professores da rede pública de educação básica. Já
distribuímos um kit com dez computadores e outros itens a cerca de 5.500
municípios brasileiros para a implantação de telecentros comunitários, que são
espaços de convivência, aprendizado e lazer. Reduzimos em 9,25% o imposto sobre
as soluções de informática e criamos linhas de financiamento para a rede
varejista, o que contribuiu para aumentar a venda de computadores no Brasil.
Hoje, há quase 30 milhões de computadores pessoais no país. Em 2003, eram apenas
15 milhões.
Além disso, o software de código aberto e livre é essencial para a
construção de uma sociedade da informação inclusiva, centrada na pessoa e
voltada para o desenvolvimento. Os programas brasileiros de inclusão digital e
de governo eletrônico utilizam o software aberto e livre. Essa opção reduz
custos e permite a construção de ambiente digital seguro e favorável à troca de
experiências e conhecimentos.
A capacidade das telecomunicações de ultrapassar fronteiras também pode ser
usada para atividades ilícitas. A Cúpula Mundial de Sociedade da Informação deu
à UIT mandato para aumentar a segurança na internet.
Gostaria de felicitar o Secretário-Geral Hamandoun Touré pelo
lançamento da Agenda Global de Cibersegurança.
Para garantir a segurança na internet, precisamos unir nossos esforços de
cooperação. A UIT, como agência especializada da ONU, é o lugar certo para
coordenar esse esforço. No combate à pedofilia, a UIT poderia definir padrões a
serem adotados por todos os países. No combate ao crime cibernético em geral,
precisamos de um instrumento multilateral que estimule uma efetiva cooperação
internacional.
O desafio dos crimes cibernéticos demonstra a importância do debate sobre
governança da internet. A Cúpula Mundial da Sociedade da Informação concluiu que
essa governança deve ser transparente e democrática, com a participação de
governos e sociedade civil. A UIT deve fazer parte desse esforço, inclusive no
Fórum de Governança da Internet das Nações Unidas.
Agradeço mais uma vez ao Secretário-Geral da UIT pela honra de receber
o Prêmio Mundial das Telecomunicações e Sociedade da Informação. Vejo esse
prêmio como resultado do esforço do Governo brasileiro para promover a inclusão
digital e um espaço virtual democrático e seguro, sobretudo para nossas crianças
e adolescentes.
Com esse prêmio, o Governo brasileiro se sente ainda mais estimulado a continuar
trabalhando, ao lado da UIT e dos demais parceiros, para construir uma sociedade
da informação democrática e que promova o desenvolvimento.
Muito obrigado.
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